Superego e voz carrasca: você sente que está programado para sentir culpa?
- Ana Carolina Ribeiro

- 12 de abr. de 2021
- 2 min de leitura

Fiel companheiro da maioria massiva de todos aqueles que cresceram em uma cultura judaico-cristã, o sentimento de culpa é um membro ativo de todas as famílias brasileiras – sejam elas tradicionais ou não, religiosas ou não.
Para que a gente possa entender de onde ele vem, precisamos passear um pouco pela base da teoria da psicanálise freudiana: o id, o ego e o superego.
Basicamente, id é o nome que se dá ao inconsciente (nossos instintos secretos e tudo aquilo que funciona nos bastidores da nossa mente), ego é o consciente (o nosso eu) e o superego costuma ser chamado de superconsciente. Mas o que isso realmente significa?
Quando nascemos, somos totalmente incontroláveis, puro id. O ego vai se constituindo à medida que crescemos e nos consolidamos enquanto sujeitos cheios de vontade. Para você ter uma ideia, ao nascer demoramos alguns meses para entender que não somos parte do corpo da nossa mãe! E para que essa criança possa se tornar civilizada e se inserir na sociedade, é preciso que ela escute muitos nãos ao longo dos primeiros anos de vida. Quando esses nãos são finalmente absorvidos e passam a fazer parte intrínseca do pensamento lógico da criança, o superego está constituído. Ou seja: temos um instância mental que é herança direta dos modelos mentais dos nossos cuidadores!

E é isso que é o superego: um grande cuidador, uma voz que nos diz o que fazer e não fazer com o intuito de nos proteger do sofrimento. E é muito comum que essa voz se torne disfuncional, carrasca mesma e nos leve a ficar programados para sentir culpa cada vez que alguma coisa não sai como esperamos. E qual a função da culpa?
A culpa é uma ilusão de controle. Uma forma da gente acreditar que numa próxima vez poderemos evitar o mesmo problema. Mas ela é contraproducente e desnecessária.
Da próxima vez que você sentir culpa, reflita sobre a diferença entre culpa e responsabilidade. Será que você é realmente responsável por tudo que acontece contigo? Ou está apenas querendo acreditar que pode controlar todas as variáveis? Uma vez que a gente aprende a soltar as emoções e deixar que elas se vão a gente se torna muito mais capaz de enfrentar as adversidades do dia-a-dia.




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