Como a psicanálise trata vícios e compulsões?
- Ana Carolina Ribeiro

- 16 de jan. de 2023
- 2 min de leitura
Existem vários graus de profundidade de um hábito que você deseja mudar e é isso que define se estamos falando de uma rotina, um vício, uma dependência ou uma compulsão.
A avaliação diagnóstica em psicanálise acontece a partir da realização de algumas sessões (8-12 semanas) com duração média de 50 minutos, na qual o paciente fala não somente sobre o problema em si, mas sobre os mais diversos aspectos da sua história de vida para que pudesse chegar até o ponto onde se encontra hoje.

Um hábito é algo que não necessariamente te faz mal, mas você pode querer mudá-lo por alguma razão pessoal como praticidade, produtividade ou economia, por exemplo.
Já um vício é um hábito do qual você sente falta a ponto de abrir mão de outras atividades para poder atender esse desejo. Ele pode comprometer sua vida social, seu relacionamento amoroso e até mesmo seu desempenho no trabalho. Chamamos de vício todas aquelas atividades sobre as quais não temos controle, mas que não necessariamente representem dependência química. Redes sociais, doces, televisão, atividades esportivas, correr perigo, sexo, pornografia e pizza podem ser fontes de vício.
A dependência ocorre quando o corpo apresenta sintomas de abstinência na ausência da substância. Cocaína, cafeína, medicamentos tarja preta, álcool e cigarro são substâncias passíveis de causar dependência.
Sempre que há dependência também ocorre um processo que chamamos de tolerância: o corpo passa a precisar cada vez de uma quantidade maior da substância em questão para poder sentir os mesmos efeitos que inicialmente ocorriam com uma quantidade menor.
Finalmente, temos o processo conhecido como compulsão. A mais famosa compulsão é a alimentar, mas qualquer vício pode causar compulsão. Ela ocorre quando a pessoa não consegue controlar o impulso de realizar determinada atividade ininterruptamente por um longo período de tempo, causando danos físicos, sociais e emocionais para si. No caso da compulsão alimentar, a pessoa não consegue parar até que o alimento acabe e muitas vezes passa a comprar quantidades cada vez maiores do alimento para poder saciar um desejo que na verdade é insáciável.
Vícios e compulsões são vistos pela psicanálise como uma forma de satisfação substitutiva, que justamente por esse motivo acaba sendo incompleta e insuficiente, necessitando de repetição como forma de busca de saciedade. No processo de análise, o paciente vai ser estimulado a entender o que tal atitude representa no cenário de sua vida é porque está recorrendo a essa satisfação substitutiva. Em um primeiro momento, busca-se encontrar um deslocamento da satisfação para algo menos danoso, pois a cura de verdade só acontece a longo prazo.

É importante lembrar que a psicanálise funciona por meio de perguntas, sem impor e sem julgar nada, para que cada paciente possa conseguir acessar a sua verdade pessoal, encoberta por resistências que se fizeram necessárias ao longo da vida, mas das quais agora já é possível abrir mão.
O tratamento psicanalítico é longo, mas muito sólido é altamente indicado para os casos em que a pessoa já tentou de tudo para parar com alguma coisa mas nada deu certo!




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