
Você tem medo de incomodar?
- Ana Carolina Ribeiro

- 8 de set. de 2022
- 2 min de leitura
Se esse é o seu caso, esse post é pra você!
Muitas pessoas chegam no meu consultório extremamente reprimidas, preocupadas em cuidar de suas palavras e atitudes no intuito de não incomodar o outro.
Ontem mesmo conversei com uma moça que não consegue tolerar críticas, pois quando as recebe sente que desagradou a outra parte e essa idéia é insuportável para ela. Só que ela reage com raiva, e apesar de não dizer o que pensa, fica remoendo palavras de "devolução" da dor que sentiu quando se sentiu julgada.
Também no dia de ontem, atendi uma moça que estava fazendo a sessão on-line em um local público e teve que mudar de lugar duas ou três vezes durante o atendimento pois as pessoas queriam usar o local onde ela estava, ou o som da voz estava atrapalhando. Em nenhum momento ela considerou que as pessoas a estivessem atrapalhando. Ela era sempre o fardo!
O medo de incomodar se consolida ainda nos primeiros meses de vida, quando nós nos damos conta de que precisamos de "ajuda externa" (ainda não temos consciência da existência da mãe como outro e não sabemos que somos um indivíduo) para sanar o desconforto horrível que é a fome. Por mais que os cuidadores tenham a intenção de fazer de tudo para que o bebê viva com o máximo de conforto, a comunicação entre o adulto e a criança é muito frágil logo que a criança nasce e é impossível que a mãe preveja adequadamente todas as necessidades fisiológicas do filho.
Isso acaba gerando frustração, insatisfação e raiva na criança, que inconscientemente começa a temer a rejeição e o abandono pois sente que sua vida depende de agradar esse elemento externo que sana seu desconforto mas nem sempre está disponível. E justamente por isso o medo do abandono e da rejeição são tão primais, aparentemente inexplicáveis e até mesmo irracionais. E são esses medos que, mais tarde, se tornam o famoso medo de incomodar o outro. Nosso inconsciente passa a crer que se incomodarmos, poderemos morrer de fome!
Sabendo disso, a próxima vez que você tiver esse tipo de medo, vale a pena racionalizar e pensar: o que será que está te amedrontando de verdade? Qual é a ameaça?




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