Competência Emocional x Inteligência Emocional
- Ana Carolina Ribeiro

- 23 de mai. de 2021
- 3 min de leitura

Inteligência emocional foi um termo muito utilizado no início dos anos 2000. Cunhada em seu formato atual por Daniel Goleman, autor do livro de mesmo nome, a ideia já havia sido desenvolvida anteriormente por Maslow (que falou sobre a pirâmide de necessidades do ser humano) e (pasmem!) também por Darwin, em sua teoria sobre adaptação e evolução. Mas será que para por aí?
Inteligência, no dicionário, é a “faculdade de conhecer, compreender e aprender” (Oxford languages via Google). Competência, por sua vez, é a capacidade de mobilizar conhecimentos para agir com sabedoria em prol de melhores resultados. Conclusão? A inteligência emocional é apenas o primeiro passo para conseguirmos lidar melhor com aquilo que sentimos, que é a chamada Competência Emocional.

Esse conceito muito interessante envolve 5 habilidades que precisam ser desenvolvidas e além de versar sobre o gerenciamento das próprias emoções, o conceito engloba também a maneira como lidamos com as emoções dos outros.
As 5 habilidades que compõem a chamada competência emocional são: autoconsciência, autoaceitação, autorregulação, autoanálise e expressão.
A autoconsciência é a capacidade de nos percebermos enquanto seres que pensam e sentem. Expandir a consciência implica conseguir ser testemunha de si mesmo e se observar enquanto ser cheio de emoções. Fazer isso nos impede de cair naquilo que Daniel Goleman chama de “sequestro emocional”, algo que acontece quando ficamos cegos e dominados pelas nossas emoções.
Autoaceitação implica não julgarmos aquilo que formos capazes de observar a partir da autoconsciência. Falas como “não fique triste”, ou “levanta a cabeça e bola pra frente”, “isso não é motivo pra sofrer” e todas as suas variantes demonstram extrema falta de respeito com o próprio momento (ou com o do outro, caso a frase seja dita para outra pessoa). Acolher uma emoção significa dizer para nós mesmos que tudo bem estar triste e com raiva e a próxima etapa será fazer algo de produtivo com o que estamos sentindo.
A autorregulação implica não sucumbir ao impulso de liberar emoções com agressividade e descontrole. É a capacidade de controlar e direcionar a energia da emoção. Lembre-se que controlar e reprimir são coisas totalmente diferentes pois a repressão implica fingir que a emoção não está lá enquanto controle tem a ver com o que fazemos com o sentimento.
A etapa mais importante da competência emocional é a chamada autoanálise, mas ela só é possível se as etapas anteriores tiverem sido cumpridas com excelência. Autoanálise significa olhar para a emoção e se perguntar qual a sua função. O que eu estou querendo dizer a mim mesmo com esse sentimento? Qual a função dessa emoção? O que eu quero que não tenho? Como posso resolver isso? Se meu corpo está sentindo isso, é porque alguma parte de mim acha que será útil. O que meu inconsciente está querendo me dizer?

Se tudo isso for feito direitinho, a quinta e última parte da competência emocional acontecerá naturalmente e sem esforço. É justamente a expressão dessa emoção, já racionalizada, integrada cerebralmente, digerida e pronta para chegar ao mundo, seja por meio de palavras, seja por meio das atitudes que tomamos como consequência do que sentimos.
Lembre-se: nem sempre o melhor jeito de expressar algo é colocando-o em palavras!
Competência emocional é muito mais do que estar sempre sorrindo e ser capaz de tratar os outros bem mesmo em situações tensas. É a capacidade de reagir com menos sofrimento a situações desagradáveis, pois a tristeza e a raiva não precisam necessariamente significar dor.




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