O mecanismo por trás das compulsões
- Ana Carolina Ribeiro

- 30 de nov. de 2020
- 2 min de leitura
Estamos nos aproximando do final de 2020, o famoso ano que em vez de começar depois do carnaval, acabou. Múltiplas tensões e incertezas povoaram nosso inconsciente (e também nosso consciente), trazendo à tona tristezas e medos latentes e vertendo luz sobre questões relacionadas à depressão, obsessões compulsivas e pânico.
Com a chegada das festas de final de ano, um assunto que deve ser levado em consideração é a compulsão. É alto o número de pessoas que identifica aumento de ansiedade nesta época do ano, em grande parte devido a um sentimento de poucas realizações e resoluções de ano novo incumpridas. É... agora é a hora que a gente percebe que talvez não dê mesmo tempo de fazer tudo aquilo que a gente queria ter feito no ano.

Ansiedade e compulsão andam juntas, pois ambas estão relacionadas à repressão de desejos inconscientes, inclusive aqueles de autossabotagem que todos temos. A compulsão, na verdade, nada mais é do que uma repressão instintual que funcionou pela metade. Quando comemos compulsivamente, ou fumamos, por exemplo, o que ocorre é que nos permitimos o determinado prazer e a culpa que o acompanha é tão grande que entramos um ciclo vicioso de cumprir o ato inúmeras vezes, sem parar, como se a cada repetição anulássemos a culpa por meio do prazer, que por sua vez gera mais culpa. E a cada repetição a velocidade se acelera, até que se chega a uma espécie de êxtase, momento que coincide com a percepção da perda de controle que imediatamente corta o ciclo de repetições e se estabiliza em um sentimento enorme de culpa, inutilidade, incapacidade e vergonha. É o prato cheio para que surja uma cadeia de pensamentos automáticos frutos da crença limitadora de desvalor.
Por mais que você não possa controlar seu vício, você pode canalizá-lo. Ao entender de onde ele vem e que se ele existe é porque seu inconsciente acha que isso serve para alguma coisa, você será capaz de escolher quais hábitos quer manter e com que frequência. Muitas vezes o tratamento medicamentoso não é o mais adequado para as compulsões, pois mascara o sintoma e permite que a pessoa afetada não trabalhe a causa, correndo o risco de ficar dependente de remédios para sempre, ou permitir-se entregar a uma vida de sofrimento e baixa autoestima por conta de percepções errôneas sobre si.




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