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Dezembro Vermelho e a Letra Escarlate

  • Foto do escritor: Ana Carolina Ribeiro
    Ana Carolina Ribeiro
  • 7 de dez. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 11 de jan. de 2021

No mês de grandes festas, está na hora de lembrarmos da importância de usar camisinha na hora de comemorar. Estima-se que mais de um milhão de pessoas vivam com HIV no Brasil, das quais 135 mil não sabem que estão contaminadas. Ou seja, na hora de se divertir, é importante não dar sorte para o azar.



Dirijo-me agora a este um milhão de brasileiros que convivem diariamente com o vírus da aids. Foi-se a época em que ser HIV positivo era como uma letra escarlate costurada no peito dos indivíduos contaminados. Para quem não conhece a história, no século XVII as mulheres adúlteras eram obrigadas a costurar em seus vestidos um A da cor escarlate para que pudesse sofrer escárnio da sociedade em qualquer lugar que passassem. O costume deu origem ao livro “A letra escarlate” de Nathaniel Hawthorne e publicado em 1850. Pois é, já foi assim para as pessoas com HIV, mas felizmente evoluímos.


Hoje em dia é possível ter uma vida totalmente normal, desde que tomados os devidos cuidados. Tomar os remédios, manter uma rotina saudável de alimentação, exercícios físicos e sono, usar preservativo nas relações sexuais... nada muito diferente do que se recomenda para pessoas não contaminadas. No entanto, ainda é identificada uma incidência de 1,5 a 8x maior de transtornos mentais em pessoas com o vírus. Estamos falando aqui de abuso de substâncias, depressão, ansiedade, e muitos outros.



E o que isso quer dizer? Que o estigma ainda pesa. Quem tem o vírus não quer se expor, se é assim, é porque tem um motivo. Ainda há preconceito e ele mata muito mais do que vírus.

Infelizmente não podemos mudar a sociedade e sua tendência à agressividade e à violência, conforme já apontado por Freud em seus estudos há mais de um século, mas sempre poderemos mudar a nós mesmos. Por isso, o acompanhamento psicológico é essencial, não apenas para pessoas contaminadas pelo HIV, mas para todos aqueles que vivem em uma sociedade sufocada pelos ditames da civilização.


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